“Comer menos é muito ruim para os negócios”, diz uma das maiores autoridades da nutrição
- dezembro 5, 2025
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Alimentos ultraprocessados estão no centro de uma preocupação crescente sobre saúde e nutrição. Segundo Marion Nestle, renomada especialista e coautora de estudos publicados no The Lancet, esses alimentos são projetados para gerar altos lucros, mas têm impactos negativos comprovados na saúde.
Nascida nos Estados Unidos e aos 89 anos, Marion Nestle mantém uma vida ativa no campo da ciência da nutrição. Com mais de 15 livros publicados, ela é reconhecida globalmente por seus trabalhos influentes na “política da comida”. Recentemente, coassumiu a autoria de dois estudos apresentados no The Lancet, explorando os perigos dos alimentos ultraprocessados.
Os estudos coordenados por The Lancet destacam como os ultraprocessados aumentam os índices de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, além de contribuírem para uma maior mortalidade. Ensaios clínicos controlados indicam que esses alimentos fazem com que as pessoas consumam, em média, entre 500 a 1.000 calorias a mais por dia, muitas vezes sem perceber. Evidências sobre esses impactos já contam com mais de 3.000 estudos publicados.
Além disso, uma questão que muitas pessoas levantam é se o nível de processamento dos alimentos é mais importante do que o número de calorias que eles contêm. De acordo com Nestle, embora o consumo calórico tenha um papel crucial no controle do peso, os ingredientes, a composição e o grau de processamento tornam alguns alimentos particularmente insalubres.
Os ultraprocessados são projetados para serem irresistivelmente saborosos. Essa estratégia incentiva o consumo excessivo e sustenta um sistema econômico onde, nos Estados Unidos, há o dobro de calorias disponíveis no mercado para cada habitante em comparação ao que é necessário.
A classificação NOVA, desenvolvida pelo cientista brasileiro Carlos Monteiro, é frequentemente criticada por essas mesmas empresas, já que promove uma alimentação menos lucrativa para elas. “Comer menos é muito ruim para os negócios”, pontua Marion Nestle.
Quando comemos uma laranja, ingerimos fibra, vitaminas e minerais, que são gradualmente processados pelo metabolismo. Já ao consumir alimentos ultraprocessados, a matriz original da comida é alterada ou destruída, resultando em digestão mais rápida e sobrecarga calórica para o organismo. Isso explica por que esses produtos estão ligados a tantos problemas de saúde.
A proteína é outro ponto de debate. Muitos se perguntam se é necessário consumir suplementos proteicos ou produtos enriquecidos. Nestle afirma que, para a maioria das pessoas, a ingestão diária de proteína já é o dobro do necessário. “Se quer mais proteína de ervilha, coma a ervilha inteira, que é muito mais saudável”, aconselha ela.
Para reduzir o impacto desses alimentos na sua dieta, a recomendação-chave de Marion Nestle é simples e prática: “Coma comida de verdade, não muita, e principalmente plantas.” Essa abordagem reforça a importância de alimentos frescos e minimamente processados.
Se busca mais sugestões para melhorar sua alimentação e até mesmo emagrecer, confira nosso artigo sobre estratégias saudáveis para perder peso.
Os ultraprocessados refletem não apenas condições de saúde, mas também a dinâmica entre economia, marketing e política. Leia a entrevista completa com Marion Nestle para aprofundar-se nesse tema crucial.