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Os quatro pontos de virada do cérebro ao longo da vida

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Estudo identifica em quais idades nosso cérebro passa por grande mudanças (Ricardo Davino/Veja Saúde)

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Se você sente que é muito mais jovem do que diz o RG, talvez esteja mesmo certo. Isso porque o cérebro envelhece em um ritmo bastante diferente do que a sociedade acredita.

É o que indica um estudo desenvolvido por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que analisou mais de 4 mil exames de imagem cerebral de pessoas de 0 a 90 anos. O artigo foi publicado na Nature Communications.

Ao avaliarem o material, os pesquisadores observaram quatro momentos decisivos na evolução do nosso intelecto: aos 9, 32, 66 e 83 anos de idade — formando cinco fases da ascensão ao declínio das conexões neurais e das estruturas do sistema nervoso central.

“Sabemos que a estrutura cerebral é crucial para o nosso desenvolvimento, mas não temos uma visão completa de como ela muda ao longo da vida”, expõe Alexa Mousley, neurocientista que comandou o trabalho. Entre as curiosidades reveladas pela investigação está que, até os 32, temos a mente de um adolescente (ou quase isso). Já aos 66, deve- -se ter muita atenção à saúde do órgão.

“O envelhecimento do cérebro depende de inúmeros fatores, desde uma boa nutrição e escolaridade na infância até o controle de doenças na fase adulta”, resume a médica Elisa Resende, da Academia Brasileira de Neurologia. Sim, cultivar hábitos saudáveis ajuda a evitar a aposentadoria da mente.

As 5 fases do nosso cérebro

Mudanças ajudam a entender o que pode acontecer com a idade

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De 0 a 9 anos

No início da vida, recebemos uma enxurrada de informações — e a consolidação das mais importantes é a prioridade do cérebro da criança. A intensa conexão neural avoluma as substâncias cinzenta e branca e o órgão ganha forma. Aos 9 anos, a cognição, bem como o risco de transtornos mentais, salta.

De 9 a 32 anos

A substância branca, que é como uma rede de cabos do sistema nervoso, continua evoluindo, tornando as conexões neurais mais eficientes e refinadas. Quem diria que esse é o cérebro adolescente? O pico do desenvolvimento ocorre por volta dos 30 anos e é, de acordo com os pesquisadores, o ponto de virada mais relevante do órgão.

De 32 a 66 anos

Nesta que é a mais longa fase da nossa central de comando, o cérebro adulto atinge um platô nos quesitos de inteligência e personalidade. São mais de 30 anos de estabilidade para a arquitetura neural. A etapa também é marcada por tornar cada região cerebral mais compartimentada e segregada.

De 66 a 83 anos

Na metade da nossa sétima década de vida, o cérebro começa a dar sutis sinais de envelhecimento precoce. Mudanças estruturais não são comuns, mas há alterações na forma como as redes de neurônios se comportam. A substância branca começa a sofrer degeneração e o cérebro está suscetível a vários problemas de saúde, como hipertensão.

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A partir dos 83 anos

O estágio final é o envelhecimento tardio, quando há um declínio mais acentuado da conectividade cerebral. Isso pode resultar em alterações comportamentais e maior dificuldade em habilidades como memória, linguagem e atenção. É um período que merece ser mais estudado para entender nossas vulnerabilidades.

+ Leia também: Nas tramas da adolescência: não é fácil ser jovem nos dias atuais

Até quando vai a adolescência?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, são adolescentes aqueles que têm entre 10 e 19 anos — critério também usado pelo Ministério da Saúde do Brasil. Já de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o período vai dos 12 aos 18 anos incompletos.

Estudos científicos, porém, já sugeriram que o amadurecimento do cérebro para a fase adulta só ocorre aos 24, 30 e, mais recentemente, 32 anos de idade. Essa etapa da vida é, na verdade, um conceito.

Foi somente no século 20 que a adolescência passou a ser reconhecida como um intervalo entre a infância e a fase adulta que precisa ser acolhido, já que os jovens ainda estão em pleno potencial de seu neurodesenvolvimento.

Fonte:Saude Abril

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